quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Defying Gravity (The Reprise)

E se tudo que eu tomei como certo não for exatamente dessa forma? Eu sempre peço, basicamente, pelas mesmas coisas. A pessoa ideal, um trabalho legal, uma vida sem rotina definida... Quero dizer, de certa forma, é estabilidade. E é isso que quase todo mundo quer? Certo?

Mas e se amanhã, quando eu acordar, pensar no meu dia de forma diferente?
E se eu abrir os olhos e ao invés de pensar "mais um dia sem expectativas", disser: "tenho muita coisa para fazer hoje? Por onde começo?"?
Eu vou levantar e dar uma olhada pela janela. Vou olhar além da paisagem maçante e regular que já estou acostumado e verei um mundo de possibilidades que nunca pensei em explorar, porque estava ocupado demais focado em um único ponto. Por que eu iria esquecer de todas as outras coisas que me cercam enquanto aguardo a concretização de um objetivo? Não seria mais fácil esperar que acontecesse naturalmente? Se for desta maneira, poderei aproveitar muito mais os meus dias, a minha vida.

Que idéia brilhante! Por que nunca pensei nisso antes?
Porque estava cego.
E hoje, as cortinas se abriram. Antes tarde do que nunca.

Com isso, quero dizer que decidi não mais perseguir meu destino. Não tenho nenhum controle sobre ele. O futuro é subjetivo, tudo pode mudar com a menor das decisões. E num mundo de grandezas, quem sou eu afinal de contas? Só um peão. Mas como no jogo de xadrez, até a menor das peças tem uma função definida. Função que determina uma ação, e por conseqüência, uma reação. Física pode ser bem simples às vezes.

Viverei dia por dia. Darei um passo de cada vez. Sem esperar (e depender disso para ser feliz) que coisas grandiosas aconteçam no meu dia. Se for para ser, será.
Mas nada disso me impede de sonhar. Em nossos sonhos podemos ser quem quisermos. Podemos ter qualquer coisa que tivermos vontade. Somos livres, somos imprudentes. Somos despreocupados, somos felizes. Somos fortes, somos luzidios.

Somos completos.

Contudo, nem em nossos sonhos temos apenas momentos mágicos.
Deus, em sua sabedoria suprema, criou o equilíbrio. Essa é a razão para que os pesadelos existam. Ele fez isso para que sempre saibamos que em lugar algum existe felicidade plena. Todos nós passamos por bons momentos, mas em contrapartida, passamos por dificuldades.
Em nossos pesadelos somos medrosos, somos fracos. Somos tristes, somos sofredores. Somos vulneráveis, somos chorões.

Somos incompletos.

Vou parar de me culpar pelo que outros fazem de errado. Se eu amo, me importo. Mas não posso (e não devo) me sentir responsável pela imprudência alheia. Se essa outra pessoa também me ama de verdade, não deveria sentir o mesmo? Não deveria sentir respeito por mim e por ela? Não deveria se preservar? Afinal, nos sentimos arrasados quando vemos pessoas que amamos passando por dificuldades. Queremos ajudar. Mas como podemos ajudar quando elas não querem ser ajudadas? Não podemos forçar. Só torcer para que ela caia em si e veja que algumas das escolhas que fez estão conduzindo-a para um buraco, que nem eu (com todo o meu amor) poderei resgatá-la. Nós dois perderemos.

Hoje, quando eu acordar, vou abrir meus olhos para ver de verdade. Vou levantar e vou andar de verdade. Um passo de cada vez. Vou respirar e sentir o cheiro ao meu redor. De verdade. Vou tocar tudo o que estiver ao meu alcance e sentir cada superfície. Verdade.

Vou parar de sentir pena de mim e viverei sem medo. Vou tentar desafiar a gravidade.

3 comentários:

Sofia disse...

profundo o post, gostei.

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CONVITE
1º aniversário do Pirulito no Palito

A festa tem retrospectiva, selo do blog pra você, entrevista e lay de cara nova!
passa lá e comemore conosco!

Sofia
(http://pirulito-no-palito.blogspot.com/)

Tiêgo disse...

Arrasou, Ruan! Nossa, seu texto ficou perfeito! Mas ainda prefiro as pautas pro TDB!

;)

Emanuela Regados disse...

A cada palavra que você escreve me identifico mais. ~HAUAHUA
Parabéns. *_*